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Filosofia?! Qual a utilidade?

  • Lucas Bigogno
  • 1 de abr. de 2024
  • 3 min de leitura

Atualizado: 5 de mai. de 2024


Estudar filosofia ou fazer uma faculdade de filosofia, vai muito além de ler vários autores clássicos e reproduzi-los com tom de voz mais acentuado. A mera reprodução não se liga diretamente à filosofia. Fazer filosofia é pensar o mundo que nos rodeia e como nos inserimos neste mundo, ou melhor, o mundo é parte ou a totalidade de nossa existência? Para além das questões de crença, a filosofia busca esclarecer, através de perguntas que nos tiram da nossa zona de conforto e nos coloca diante de algo novo, para isso a filosofia usa o logos, a razão humana, de modo reflexivo. Não é um pensar flutuante que viaja e não encontra estadia. Ao contrário, pensar algo é ir de encontro com a realidade como ela é, por isso se diferencia da religião.

Neste ponto cabe citar Giovanni Reale sobre o surgimento da filosofia:


"No que se refere ao conteúdo, a filosofia quer explicar a totalidade das coisas, ou seja, toda a realidade, sem exclusão de partes ou momentos dela. A filosofia, portanto, se distingue das ciências particulares (geografia, astronomia, direito, matemática, história, medicina e todas as outras)*, que assim se chamam exatamente porque se limitam a explicar partes ou setores da realidade, grupos de coisas ou de fenômenos."


A grande virada da filosofia é deixar de lado as explicações dadas para raios e trovões como sendo a ira dos deuses. Essa concepção de justificar todos os fenômenos da natureza como sendo causados por deuses, vem dos escritos de Homero sobre a Ilíada e a Odisseia, assim como os poemas de Hesíodo. A filosofia, ao contrário dos moldes religiosos, não busca explicação para os fenômenos naturais em fundamentos místicos. A filosofia não exclui a religião, mas o seu método de buscar conhecimento é pelo logos, entendido como razão.


Assim, o estudo filosófico considera trazer luz às questões como "Qual é o princípio de todas as coisas?" unicamente pelo método racional. Outro exemplo é pensar sobre nós, de onde viemos e quem somos no mundo. Na antiguidade as explicações vinham por meios religiosos. A filosofia coloca o homem no centro da questão, pensando unicamente pela razão.


Estudar filosofia é ser inserido num modo de pensamento que reflete sobre o mundo e sobre sua realidade. Que usa o pensamento reflexivo e buscar chegar às suas últimas consequências (em outro artigo irei aprofundar como seria o processo filosófico para pensar a questão acima: qual é o princípio de todas as coisas?)


Então a filosofia estuda o que? TUDO! Sim, tudo. Ela estuda desde a cosmologia grega até a ética Kantiana. Ou seja, das questões que aparentemente parecem tão básicas até as mais complexas para a humanidade. 


Qual método ela usa para isso? A dúvida, o questionamento reflexivo. Cabe expor aqui Sócrates, chamado de pai da filosofia, pois foi o primeiro expoente a questionar sobre quem somos nós. Sobre quem é você para além do seu nome. A dúvida socrática é trazida como algo basilar no senso comum, como as célebres questões: de onde viemos, quem somos e para onde iremos. Podemos pensar e refletir imensamente nessas questões a partir de Sócrates. 


Mas afinal, por que questionar? Pense que para ter existido o celular, esse mesmo que você está utilizando para ler esse post, foi necessário que alguém parasse e pensasse sobre ele e sobre a necessidade da existência desta tecnologia. Pensar nos liberta das amarras do cotidiano. Aliás, aqui vai uma pergunta que pode fazer com que você não me leia mais, por que você abre o celular todo dia em diversos aplicativos e passa horas e horas a fio vendo a vida das pessoas, que em muitos casos não sabem da sua existência, sendo que você só é um número no perfil delas?

A filosofia faz perguntas ácidas e as respostas é só você que pode dar na sua existência, pois nascemos, vivemos e morremos, mas o que faremos com o VIVER, só o ser humano que tá aí do outro lado pode responder.


A resposta para a utilidade da filosofia se encontra na própria pergunta, pois quando fazemos tal questionamento, nos voltamos, de modo reflexivo, a olhar em que a filosofia implica na nossa realidade. Deste modo, descobrimos que filosofar (ato de pensar conceitos filosóficos) está presente no nosso cotidiano. Pensamos sempre em qual escolha tomar diante das nossas experiências e de quem nós somos. A utilidade da filosofia está em pensar o nosso cotidiano de modo consciente e autoral.


Tenha uma ótima jornada!

Viva bem!



Lucas Bigogno.




Texto citado:

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da filosofia: Antigüidade e Idade Média: volume I. Paulus, 2003.

*Minha escrita.




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