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Aristóteles, Discípulo de Platão.

  • Lucas Bigogno
  • 23 de jul. de 2024
  • 4 min de leitura

A filosofia grega iniciada em mileto alçou voos longínquos, passando por Heráclito, Parmênides, Sócrates e Platão. Chegando no pai da ciência, como muitos o denominam. Aristóteles foi muito além de filosofo, foi um amante do conhecer e da ciência. Nasceu em 384/383 na macedônia, com finalidade de se aperfeiçoar mudou-se para Atenas e entrou na escola platônica em 366/365.


Foi discípulo de Platão e seu aluno na academia platônica, mas após a morte de seu mestre, se retirou da escola e seguiu seu próprio caminho. Sabe-se que ele não aceitava completamente as teorias de seu mestre e após a sua morte as ideias defendidas por ela não eram seguidas pelo sucessor de Platão na academia.


Na sua retira do círculo platônico, Aristóteles viajou a macedônia e teve o dever de cuidar de Alexandre Magno na sua juventude. Ele ficou com esse dever por mais ou menos 14 anos. O destino tratou de unir dois grandes personagens da história. Após este período na macedônio o filosofo volta à Atenas e aluga um edifício do templo a Apolo Lício, nome que originou o nome de sua escola: liceu. Suas aulas eram ministradas num passeio pelo jardim anexo ao edifício, fato que deu origem ao peripato ou aos peripatéticos, que no grego quer dizer passeio. 


Aristóteles não foi notável apenas no ambiente filosófico de sua época, mas buscou desenvolver escritos sobre a História dos Animais, As Partes dos Animais, O Movimento dos Animais, A Geração dos Animais. Obras que dizem respeito a história da ciência do que especificamente da filosofia. No paralelo feito com Platão, pode-se perceber pelos escritos da natureza, que o autor buscou um certo tipo de conhecimento científico da natureza, indo para além de meras especulações.


Platão se manteve especificamente na sua teoria filosófica e não buscou abranger a realidade como um todo. Aqui é notável o aprofundamento de Aristóteles sobre a tentativa de conhecer o todo, não de forma primeira, mas na experiência com a realidade presente. Assim, sua filosofia se desenvolveu de modo a focar nas relações experimentais e menos ideais.


Opa, quer dizer então que Aristóteles contrapõe cem por cento a Platão? Não, deve-se lembrar que ele era discípulo de Platão, como todo discípulo, ele tenta aperfeiçoar os ensinos de Platão. Vale lembrar que Platão não contrapõe a natureza como enganadora, mas ele fundamenta que conhecemos pela natureza as coisas, mas suas verdades estão no mundo das ideias ou das formas verdadeiras. Aristóteles buscar justificar as formas platônicas, de modo que a passagem das formas ao mundo sensível correspondesse a princípios lógicos. Aristóteles fórmula que antes da causa (mundo das ideias) que gera o causado (o mundo físico), se encontra o motor imóvel que move todas as coisas sem ser movido por nada. Esse motor pode ser denominado de Deus.


De cunho filosófico, Aristóteles escreveu inúmeros livros políticos, éticos e metafísicos: Ética a Nicomaco, a Grande Ética, a Ética Eudêmia, a Política. Além desses textos importantíssimos para a filosofia e o estudo da ética, Andrônico de Rodes no século I juntou textos aristotélicos no qual denominou como Metafísicos, pois eram textos que tratavam de questões que não dizem respeito aos objetos físicos. Esses escritos metafísicos serão muito usados no medievo e na retomada do pensamento moderno em Descartes.


Compreendido como Aristóteles desenvolve seu pensamento, agora é preciso ressaltar qual sua diferença do seu mestre. Diógenes Laércio, cita Aristóteles como o mais genuíno discípulo de Platão. Sua forma genuína não está na cópia ou na simples repetição dos termos platônicos, mas na ampliação dos horizontes iniciados pelo mestre. Ele pegou algumas aporias (contradições) buscou levá-las adiante com intuito de superá-las e dar um passo além de seu mestre.


Um exemplo destas aporias está no fundamento da teoria das ideias em Platão, pois para ele as formas fundavam o sensível, mas ao mesmo tempo conhecemos a suprassensiveis pelo sensível. Assim o processo de conhecimento era metassensivel, mas o autor das ideias não se preocupou em justificar suas teorias. Sua principal argumentação era em formular um pensamento que originou no mundo das formas, mas como esse mundo se integra com o físico, não era determinante para ele.


Platão se preocupou mais em indagar o mundo das ideias do que sua relação com o mundo físico. Como uma ideia suspensa no ar, Aristóteles foi o discípulo que mais a compreendeu, pois não continuou na aporia do mestre, mas seguiu o desenvolvimento iniciado pelo seu mestre. Pode-se dizer que toda a filosofia do discípulo foi centrada em construir uma relação dos mundos das ideias ou formas com a sua correspondência no mundo físico. Claro que Aristóteles vai muito além de um desenvolvimento da filosofia do mestre, ele constrói sua própria filosofia.


Segundo Aristóteles, posto que a as formas perfeitas existam, não se pode começar por elas devido serem essências e não corresponde diretamente com a forma visível. Assim como o bem ideal existe, não é ele que impera primeiro como causa primeira, mas ele se torna causa final. Todo o desenvolvimento ético humano caminha para o bem absoluto. Platão iniciou a segunda navegação, mas quem colocou o motor imóvel que move todas as coisas como finalidade foi Aristóteles. A fé passou das formas que existem antes da existência, para a perfeição no seu resultado.


Por fim, Aristóteles coloca que as formas perfeitas não são postas por si mesmas, mas é necessário que sejam postas por alguém ou algo. Aqui se encontra o supracitado primeiro motor, o motor imóvel que move todas as coisas sem ser movido por nada. Pode-se parecer estranho, mas a filosofia aristotélica funda uma concepção de Deus para que a filosofia ou a segunda navegação platônica pudesse encontrar bases na realidade. Uma coisa é mérito de Platão, sem o suprassensível não existiria o sensível. Porém faltou-lhe pensar quem fundou o suprassensível ou quem pensou ele primeiro. Assim, Aristóteles foi direto ao termo buscando uma solução.


Percebe-se que a filosofia se transforma em muitos questionamentos e buscando de fundo uma base segura para poder formular qualquer teoria da realidade. Mas o que podemos tirar para a presente realidade? Hoje essas teorias são denominadas de teoria do conhecimento, de como podemos conhecer algo? As cadeiras estão na nossa frente ou em nossa mente?


Parece ser uma questão menor, porém sem pensá-las não seria possível desenvolver-se teorias psicológicas do autoconhecimento ou do conhecimento do mundo que nos circunda. Proponho a pensar sobre o direito, por qual ideal as leis existem? Manter coesão social. Mas sobre qual fundamento? Todos somos bons. Em muitos casos o direito segue o mesmo princípio do primeiro motor que funda tudo ou até mesmo do Deus-bom. Com isso, temos as leis que prezam o homem ideal, o homem sem defeitos e pecados (crimes). Aqueles que cometem crimes, carregam o carma em seus currículos pelo resto da vida, no qual conseguir um emprego é algo difícil; devido os seus pecados sociais.


É... parece que o primeiro motor e o mundo das formas estão mais presentes no nosso dia a dia que pareça à primeira vista. 

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Lucas Bigogno

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